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Quanto custa levar um time de futebol pra jogar fora

Voo charter, hotel, alimentação, segurança, equipamento. A conta de uma viagem de delegação de futebol pode passar de R$ 500 mil por jogo. Entenda tudo.

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Daniel Krust
··6 min de leitura
Delegação de clube brasileiro embarcando em voo charter noturno com equipamentos e material esportivo

Quanto custa levar um time de futebol pra jogar fora

Mandar um time jogar fora de casa não é só comprar passagem de avião. É uma operação logística com custo médio de R$ 500 mil por viagem — e, dependendo do destino e da competição, pode ser muito mais que isso. Neste post você vai entender pra onde vai cada centavo desse dinheiro.


Quem paga a conta?

A resposta curta: o próprio clube. No Brasileirão Série A de 2026, a CBF confirmou que todas as despesas de transporte, hospedagem e alimentação de atletas e comissão técnica são de responsabilidade exclusiva das equipes — sem subsídio da confederação.

Isso significa que jogar no Maracanã sendo do Atlético-MG, ou encarar o Brasileirão tocando de Manaus pra São Paulo, sai do bolso do clube. As principais fontes de receita pra cobrir esses gastos são direitos de TV, patrocínios, venda de ingressos e cotas de competições.


A maior fatia: o voo charter

Charter é o nome do voo fretado — ou seja, o clube aluga um avião inteiro só pra delegação. É o padrão da Série A e de qualquer participação em Libertadores (a principal competição sul-americana de clubes).

Por que não voo regular? Simples: controle total de horário, privacidade pro planejamento tático, sem risco de atraso por conexão e sem misturar jogadores com passageiros aleatórios na véspera de um jogo decisivo.

O custo de um charter nacional (ida e volta) varia bastante conforme a rota:

Trecho Estimativa ida e volta
SP → Nordeste (ex: Fortaleza) R$ 150 mil – R$ 250 mil
SP → Norte (ex: Belém/Manaus) R$ 250 mil – R$ 400 mil
RJ → Sul (ex: Porto Alegre) R$ 150 mil – R$ 230 mil

Rotas mais longas, aeronaves maiores e disponibilidade no calendário encarecem o preço. Para competições internacionais, como a Libertadores, os valores sobem proporcionalmente ao trecho internacional.

Para ter uma ideia do topo da pirâmide: para a Copa do Mundo 2026, a operação do voo da Seleção Brasileira aos Estados Unidos foi estimada em cerca de R$ 5 milhões — bancada por uma patrocinadora, não pela CBF.


Hotel: R$ 30 mil a R$ 50 mil por delegação

Uma delegação completa de futebol tem em torno de 30 pessoas (jogadores, comissão técnica, preparadores, médico, nutricionista, analistas de desempenho). Hospedar esse grupo numa cidade brasileira custa entre R$ 30 mil e R$ 50 mil por viagem.

Isso inclui:

  • Bloqueio de andares ou alas inteiras do hotel por segurança e concentração.
  • Sala de reunião tática com equipamento audiovisual.
  • Checkin e checkout fora do padrão (a delegação pode chegar às 3h da manhã ou sair às 5h).
  • Diárias de categoria mínima 4 estrelas nos clubes da Série A.

Clubes que participam da Libertadores frequentemente negociam hotéis em cidades como Buenos Aires, Bogotá ou Santiago, com custo adicional de câmbio e padrão internacional.


Alimentação: mais caro do que parece

Não é só o buffet do hotel. A alimentação de uma delegação de elite envolve:

  • Nutricionista embarcado controlando macro e micronutrientes de cada atleta.
  • Refeições pré-jogo padronizadas (horário e composição rígidos).
  • Lanches de recuperação pós-partida.
  • Em alguns casos, ingredientes e preparações específicas levadas do próprio CT do clube.

O custo com alimentação numa viagem de dois dias gira em torno de R$ 15 mil a R$ 25 mil para uma delegação de 30 pessoas — incluindo todas as refeições do grupo técnico e de suporte.


Segurança e transporte terrestre

Chegou no aeroporto, não acabou. A delegação precisa de:

  • Ônibus fretado exclusivo do aeroporto ao hotel e do hotel ao estádio.
  • Segurança privada (seguranças, batedores e, em algumas cidades, apoio policial).
  • Transporte interno de equipamentos (material médico, caixas de bolas, coletes, equipamentos de análise de vídeo).

Esse pacote de transporte terrestre e segurança custa entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por viagem, dependendo da cidade e do nível de exposição do clube.


Equipamento e bagagem especializada

A delegação não viaja de mãos vazias. A quantidade de material embarcado surpreende quem não conhece os bastidores:

  • Coletes, bolas e cones para o treinamento de ativação no dia do jogo.
  • Mala médica completa: orteses, gelo, eletroestimuladores, medicamentos, faixas.
  • Equipamentos de análise de vídeo: tablets, laptops, projetor portátil.
  • Uniformes completos (titular, reserva, goleiro, treino) para cada jogador.
  • Em viagens internacionais, alguns clubes levam até colchões especiais pra evitar problemas de recuperação.

O transporte e eventual aluguel de espaço de treino no destino somam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil adicionais.


A diferença entre Série A, Série B e Libertadores

Nem todos os times gastam igual. Há uma diferença enorme conforme o nível da competição:

Série B

  • Delegações menores (em torno de 25 pessoas).
  • Voos comerciais em vez de charter são mais comuns, especialmente em percursos curtos.
  • Hotéis de 3 a 4 estrelas.
  • Custo estimado por viagem: R$ 80 mil a R$ 200 mil.

Série A

  • Charter obrigatório na prática (logística, imagem e contrato com patrocinadores exigem).
  • Delegação maior, padrão 4-5 estrelas.
  • Custo estimado por viagem: R$ 300 mil a R$ 600 mil.
  • Clubes como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG chegam ao limite superior facilmente pelo tamanho da delegação e pelo padrão exigido.

Libertadores (fases eliminatórias)

  • Voo internacional (charter ou classe executiva em voo comercial).
  • Passaporte, vistos, seguro internacional, câmbio.
  • Hotel no exterior com infraestrutura para treino.
  • Custo estimado por viagem: R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão, dependendo do destino.
  • Clubes que chegam à semifinal ou final enfrentam viagens repetidas que somam vários milhões de reais só em logística.

No fim do ano, a conta é alta

Um clube da Série A que também disputa Copa do Brasil e Libertadores pode ter mais de 20 viagens ao longo da temporada. Mesmo com uma média conservadora de R$ 400 mil por viagem, estamos falando de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões anuais só em deslocamentos.

Por isso clubes menores que sobem pra Série A frequentemente se preocupam com esse custo. É um peso fixo no orçamento que não depende de resultado: o time joga mal e perde, mas a fatura do charter chega do mesmo jeito.


Perguntas frequentes

Quem paga as viagens dos times de futebol no Brasileirão?

No Brasileirão Série A 2026, os próprios clubes arcam integralmente com os custos de transporte, hospedagem e alimentação das delegações. A CBF não subsidia essas despesas.

O que é voo charter no futebol?

Charter é o avião fretado exclusivamente para a delegação. O clube aluga toda a aeronave, garantindo controle de horário, privacidade tática e sem misturar jogadores com outros passageiros. É o padrão dos times da Série A.

Quanto custa uma viagem de delegação de futebol na Série B?

Na Série B, onde voos comerciais são mais comuns e as delegações são menores, o custo por viagem fica estimado entre R$ 80 mil e R$ 200 mil, dependendo da distância e do destino.

Quanto custa viajar pra Libertadores?

Uma viagem internacional para a Libertadores (fase eliminatória) pode custar entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão por deslocamento, incluindo voo internacional, hotel no exterior, seguro e transporte terrestre.

Por que times da Série A não viajam em voo comercial?

Controle de horário, concentração dos atletas, logística de equipamentos e exigência de patrocinadores tornaram o charter praticamente obrigatório na elite. Voos comerciais aumentam o risco de imprevistos que afetam a preparação do time.

Tags:#bastidores#logística#finanças do futebol#Brasileirão#Libertadores#voo charter#delegação

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