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Pelé: por que ele é o Rei do Futebol?

3 Copas do Mundo, mais de 1.200 gols e um impacto cultural que parou guerras. Entenda por que Pelé ainda é chamado de O Rei — e por que o título faz todo sentido.

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Daniel Krust
··6 min de leitura
Pelé erguendo a taça da Copa do Mundo com a camisa amarela da Seleção Brasileira, celebrando o tricampeonato no Estádio Azteca em 1970

Pelé: por que ele é o Rei do Futebol?

Simples assim: nenhum jogador da história ganhou três Copas do Mundo. Nenhum. Só Pelé. Mas o apelido "O Rei" vai muito além de troféus — ele resume uma vida inteira de feitos que ainda hoje parecem impossíveis de reproduzir. Se você tem essa dúvida, chegou ao lugar certo.


Quem foi Pelé?

Edson Arantes do Nascimento nasceu em Três Corações, Minas Gerais, em 1940, e cresceu em Bauru (SP) chutando bolas improvisadas de meia e jornal. O apelido "Pelé" surgiu ainda na infância: ele não conseguia pronunciar direito o nome do goleiro Bilé, ídolo do time do pai, e os amigos de rua passaram a chamá-lo assim — para o desgosto do próprio Edson, que não gostou do apelido de início.

Aos 15 anos entrou para o Santos FC. Aos 16, foi convocado para a Seleção Brasileira. A trajetória que veio depois é o que separa Pelé de qualquer outro jogador da história.


Os números que fazem o título de "Rei" fazer sentido

Antes de qualquer debate filosófico sobre o melhor de todos os tempos, os números já falam por si:

  • Três Copas do Mundo: 1958, 1962 e 1970 — o único jogador da história a conquistar o torneio três vezes.
  • Mais jovem campeão mundial: levantou o troféu de 1958 com apenas 17 anos, recorde que até hoje não foi quebrado.
  • 77 gols em 92 jogos oficiais pela Seleção — por mais de 50 anos foi o maior artilheiro da história do Brasil.
  • 643 gols em 659 jogos pelo Santos, clube onde atuou praticamente toda a carreira.
  • Mais de 1.280 gols no total contando partidas oficiais e amistosos ao longo da carreira.

Em 1959, marcou 126 gols em um único ano — número que nunca foi superado na história do futebol. Em três temporadas diferentes (1959, 1961 e 1965), passou da barreira dos 100 gols anuais.

Em 1969, tornou-se o primeiro jogador da história a marcar 1.000 gols na carreira, em uma partida contra o Vasco da Gama no Maracanã. O governo brasileiro chegou a declará-lo "patrimônio nacional" em 1961 para impedir que fosse transferido para a Europa.


A Copa de 1958: onde o título de Rei nasceu

A Copa do Mundo de 1958, na Suécia, é o ponto de partida de tudo. O Brasil chegou ao torneio carregando o que o cronista Nelson Rodrigues chamava de "complexo de vira-lata" — uma espécie de insegurança coletiva herdada da derrota para o Uruguai em 1950, no Maracanã.

Foi Pelé e companhia que acabaram com isso. Aos 17 anos, o garoto de Bauru marcou seis gols no torneio, incluindo um hat-trick (três gols no mesmo jogo) na semifinal contra a França e dois gols na final contra a Suécia. O Brasil saiu campeão, e o apelido "O Rei" passou a ser associado ao nome de Pelé a partir dali.


Além dos gols: o estilo que encantou o mundo

Pelé não era apenas um goleador. Ele reunia qualidades que raramente aparecem no mesmo jogador:

  • Finalização com as duas pernas e com a cabeça
  • Drible curto e mudança de ritmo que desconcertava qualquer defesa
  • Visão de jogo para criar chances tanto para si quanto para os companheiros
  • Consistência absurda ao longo de quase duas décadas no alto nível

Na Copa de 1970, considerada por muitos a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos, Pelé foi o maestro. Na final contra a Itália, marcou um gol e participou diretamente de outros três. Não à toa, a IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol) o elegeu o Melhor Jogador do Século XX. O Comitê Olímpico Internacional também o nomeou Atleta do Século, em 1999.

Em 2013, a revista France Football entregou a ele uma Bola de Ouro honorária — reconhecimento tardio pelo fato de que, na época em que jogava, o prêmio era restrito a atletas que atuavam na Europa.


O gol que parou uma guerra

Um dos episódios mais impressionantes da história de Pelé não aconteceu dentro de campo. Em 1969, durante uma excursão do Santos pelo continente africano, um cessar-fogo foi declarado na guerra civil de Biafra, na Nigéria, por um dia — para que todos pudessem assistir ao time de Pelé jogar.

Isso diz muito sobre o alcance do Rei. Ele não era apenas um craque: era um fenômeno cultural que ultrapassava qualquer fronteira esportiva ou geográfica.


Pelé x Maradona, Cruyff, Messi e Cristiano: quem é o maior?

Essa é a pergunta que não tem uma resposta única — e Pelé sabia disso melhor do que ninguém. Em vida, ele costumava pedir que outros craques fossem celebrados da mesma forma, citando nomes como Johan Cruyff, Maradona e Zico.

Veja como cada nome se destaca em critérios diferentes:

Critério Vantagem
Copas do Mundo (títulos) Pelé (3)
Copa do Mundo (impacto individual) Maradona (1986)
Métricas de criação e finalização Messi
Gols em Champions League / KO Cristiano Ronaldo
Medidas relativas à época Pelé e Maradona
Legado cultural global Pelé

A conclusão mais honesta do debate é que a definição de "maior" depende do critério escolhido. Se o critério for títulos mundiais, Pelé está sozinho no topo — e provavelmente ficará por muito tempo. Se for métricas modernas ajustadas por jogo, Messi lidera os modelos quantitativos. Se for o pico individual em uma única Copa, Maradona em 1986 é inigualável.

O que ninguém contesta: Pelé globalizou o esporte. O Santos fez excursões pela África, Ásia e América do Norte, levando o futebol a lugares onde era quase desconhecido. Quando foi jogar pelo New York Cosmos nos EUA, no fim da carreira, o público do clube cresceu de forma impressionante — e abriu portas para outros grandes nomes europeus irem jogar na América do Norte.


O legado que permanece

Em 2022, Pelé faleceu aos 82 anos. As homenagens vieram de todos os cantos do planeta — estádios, clubes e seleções fizeram minuto de silêncio. Em 2023, a FIFA renomeou o troféu de Melhor Jogador do Mundo em sua homenagem.

O Museu Pelé, inaugurado em Santos em 2014, reúne mais de 2.400 itens da carreira do jogador — e virou ponto de peregrinação para torcedores do mundo inteiro.

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, ao entregar a Pelé o Prêmio de Conquista de Vida do Laureus, disse que assistir a ele jogar era como ver "a alegria de uma criança combinada com a graça extraordinária de um homem pleno."

Difícil resumir melhor.


Perguntas frequentes

por que pelé é chamado de o rei do futebol?

O apelido "O Rei" ficou popularizado após a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, quando Pelé, com apenas 17 anos, liderou o Brasil ao seu primeiro título mundial. A combinação de talento único, recordes imbatíveis e uma presença que ultrapassou as fronteiras do esporte consolidou o título para sempre.

quantas copas do mundo pelé ganhou?

Pelé é o único jogador da história a vencer três Copas do Mundo: 1958, 1962 e 1970, todas com a Seleção Brasileira. Ele também é o mais jovem campeão da história da competição, com 17 anos em 1958.

quantos gols pelé fez na carreira?

Pelé marcou mais de 1.280 gols ao longo da carreira, contando jogos oficiais e amistosos. Em partidas oficiais pelo clube e seleção, o número reconhecido pela FIFA chega a 767. Em 1969, foi o primeiro jogador da história a atingir a marca de 1.000 gols na carreira.

pelé é maior do que messi e cristiano ronaldo?

Depende do critério. Em títulos de Copa do Mundo, Pelé é inigualável (3 troféus). Em métricas modernas de criação e finalização, Messi lidera os modelos quantitativos. Em gols em Champions League, Cristiano Ronaldo se destaca. Não existe uma resposta única — mas Pelé foi quem globalizou o futebol e, por décadas, foi referência absoluta do esporte.

pelé ganhou a bola de ouro?

Pelé nunca foi vencedor oficial da Bola de Ouro porque, na época em que jogava, o prêmio era restrito a jogadores que atuavam na Europa. Em 2013, a revista France Football entregou a ele uma Bola de Ouro honorária em reconhecimento à sua carreira.

Tags:#Pelé#Rei do Futebol#Seleção Brasileira#GOAT#história do futebol#Santos FC#Copa do Mundo

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