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VAR no futebol brasileiro: como funciona de verdade
O VAR ainda te confunde? Entenda o que é, em quais lances ele atua, como é o processo de revisão e por que ainda rola tanta polêmica no Brasileirão.

VAR no futebol brasileiro: como funciona de verdade
Você estava assistindo um jogo, o atacante fez o gol, a torcida foi à loucura — e de repente o árbitro levou a mão ao fone de ouvido e mandou tudo parar. Minutos depois, o gol foi anulado. Mas o quê? O VAR aconteceu. Se você ainda não entende direito o que é isso, fica aqui que a gente explica tudo do zero.
O que é o VAR?
VAR é a sigla em inglês para Video Assistant Referee, que em português significa árbitro assistente de vídeo. É um sistema que usa câmeras espalhadas pelo estádio para revisar lances polêmicos e ajudar o árbitro principal a tomar a decisão certa.
No Brasil, o VAR chegou em 2019. Desde então, está presente em todas as 380 partidas do Campeonato Brasileiro Série A — e os custos com tecnologia e infraestrutura são bancados pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). A central de operações fica no Rio de Janeiro, com árbitros especializados de plantão durante todos os jogos do Brasileirão.
A missão do VAR é simples de dizer, mas difícil de executar: corrigir apenas erros claros e óbvios. Não serve para questionar opinião do árbitro. Só entra quando o erro é tão evidente que qualquer pessoa que assista ao vídeo identificaria sem precisar de interpretação subjetiva.
Em quais lances o VAR pode intervir?
Nem todo lance para o jogo para o VAR atuar. O protocolo oficial da IFAB (International Football Association Board — o órgão que define as regras do futebol mundial) define categorias específicas. São elas:
1. Gol
O VAR verifica se o gol é válido analisando: possível impedimento na jogada, faltas cometidas antes do gol, toque de mão do atacante na bola e se a bola saiu completamente do campo antes do cruzamento. É a categoria mais revisada — segundo dados da CBF referentes à temporada 2024 do Brasileirão Série A, 41% de todas as intervenções do VAR envolveram gols.
2. Pênalti
Aqui o VAR analisa se houve contato real dentro da área, se foi simulação, onde exatamente ocorreu a infração e se houve toque de mão deliberado. É a segunda categoria mais revisada: 33% das intervenções.
3. Cartão vermelho direto
O VAR pode recomendar a revisão de expulsões — tanto para confirmar um vermelho que o árbitro deu, quanto para sugerir um que ele não viu. Vale também para casos onde o árbitro deu apenas amarelo, mas a falta era grave o suficiente para vermelho direto.
4. Identidade equivocada
Quando o árbitro pune o jogador errado — ou seja, dá cartão para quem não cometeu a falta. É a situação mais rara: representa menos de 2% dos casos.
5. Segundo cartão amarelo (novidade em 2026)
Uma das atualizações aprovadas pela IFAB e que a CBF está implementando: o VAR agora também pode ser acionado para revisar punições pelo segundo cartão amarelo, o que antes era fora do protocolo.
Como funciona o processo de revisão na prática?
Imagine que o atacante cai dentro da área. O árbitro não marca nada. O jogo segue. Aí vem a sequência:
- O árbitro de vídeo (na central do Rio de Janeiro) analisa o lance pelas câmeras enquanto o jogo ainda rola.
- Se ele identifica um possível erro claro e óbvio, comunica o árbitro de campo pelo fone de ouvido.
- O árbitro de campo pode:
- Aceitar a sugestão e corrigir a decisão diretamente, sem precisar ir à tela;
- Ir ao monitor (o chamado On-Field Review, ou OFR) para ver o lance com os próprios olhos antes de decidir.
- Após assistir ao vídeo, o árbitro de campo toma a decisão final. Ele pode concordar com o VAR — ou manter o que havia julgado originalmente.
Esse último ponto é importante: o árbitro de campo não é obrigado a mudar a decisão. Ele tem autonomia para discordar da sugestão do VAR, exceto quando o erro for classificado como "claro e óbvio" pelo protocolo.
Quantas vezes o VAR entra por jogo?
Mais do que você imagina. Na temporada 2024 do Brasileirão Série A, o VAR realizou 1.247 intervenções em 380 partidas — uma média de 3,28 revisões por jogo. A maior parte dessas intervenções foi comunicada pelo fone, sem que o árbitro precisasse ir até o monitor.
O impedimento semiautomático: a nova era da tecnologia
Uma das maiores novidades para 2026 era a chegada do impedimento semiautomático ao futebol brasileiro — tecnologia já usada na Europa e na Copa do Mundo de 2022. O sistema usa um chip dentro da bola e câmeras posicionadas ao redor do campo para gerar uma imagem 3D com inteligência artificial, determinando com muito mais velocidade e precisão se houve impedimento.
A CBF chegou a cadastrar 27 estádios para receber o sistema. Porém, por conta de burocracias, testes ainda em andamento e equipamentos em fase de importação, o impedimento semiautomático não foi implementado desde o início do Brasileirão 2026. A previsão é de que seja adotado ao longo da temporada assim que a infraestrutura estiver pronta.
As polêmicas que todo torcedor conhece
Com tanta intervenção, é inevitável que o VAR vire protagonista de confusões. No Brasileirão 2025, a arbitragem acumulou episódios que movimentaram a internet:
Sport x Fortaleza: Yago Pikachu chutou, a bola bateu no travessão e pareceu entrar. O árbitro afirmou não ter "visão conclusiva para confirmar o gol". O Fortaleza ficou com o empate e o clube ironizou o lance nas redes sociais.
Bragantino x Grêmio (27ª rodada): um pênalti polêmico gerou forte reação de clubes e torcedores. A Comissão de Arbitragem da CBF afastou o árbitro da partida para reciclagem.
São Paulo x Palmeiras (27ª rodada): lances polêmicos levaram a CBF a divulgar os áudios do VAR para tentar dar transparência à decisão — e o árbitro Ramon Abatti Abel também foi afastado.
Corinthians x Grêmio (2023): nos minutos finais, Yuri Alberto tocou a bola com o braço dentro da área. Nem o árbitro nem o VAR marcaram pênalti. Dias depois, a própria CBF reconheceu o erro e determinou reciclagem dos árbitros envolvidos.
No Brasileirão 2026, as polêmicas seguem. Em jogo entre Palmeiras e Flamengo, a expulsão de Carrascal no primeiro tempo — após revisão — pesou na derrota rubro-negra por 3 a 0 e incendiou o debate nas redes.
A crítica mais comum é sempre a mesma: lentidão nas análises, decisões inconsistentes e sensação de critérios diferentes para times diferentes. Não à toa, ao longo do Brasileirão 2025, a Comissão de Arbitragem da CBF afastou equipes de arbitragem em quatro partidas diferentes.
Quem decide no final das contas?
Sempre o árbitro de campo. O VAR recomenda, sugere, comunica — mas quem apita é o homem (ou a mulher) com o apito no pescoço. A tecnologia existe para diminuir erros grotescos, não para substituir o julgamento humano.
E é justamente aí que mora grande parte da frustração dos torcedores: mesmo com câmeras em todos os ângulos, a interpretação de um lance muitas vezes ainda depende de quem está olhando.
Perguntas frequentes
o que é VAR no futebol?
VAR é a sigla para Video Assistant Referee — árbitro assistente de vídeo. É um sistema de câmeras e árbitros especializados que revisa lances polêmicos (gols, pênaltis, expulsões e identidade equivocada) para corrigir erros claros do árbitro de campo.
em quais lances o VAR pode intervir?
O VAR só atua em quatro categorias principais: gols (incluindo impedimento e falta na jogada), pênaltis, cartões vermelhos diretos e identidade equivocada. Em 2026, o protocolo foi ampliado para incluir também o segundo cartão amarelo e lances de escanteio.
o VAR pode mudar a decisão do árbitro?
O VAR pode recomendar revisão, mas a decisão final é sempre do árbitro de campo. Ele pode aceitar a sugestão, ir ao monitor para ver o lance, ou manter sua decisão original — a menos que o erro seja classificado como claro e óbvio.
o impedimento semiautomático já funciona no Brasil?
Ainda não plenamente. A CBF planejou implementar a tecnologia no Brasileirão 2026, mas problemas burocráticos e de importação de equipamentos atrasaram a estreia. A expectativa é de adoção ao longo da temporada.
por que o VAR demora tanto para tomar uma decisão?
Porque os árbitros de vídeo precisam analisar múltiplos ângulos de câmera, identificar o ponto exato do lance e comunicar ao árbitro de campo de forma precisa. Quando há revisão no monitor (On-Field Review), o tempo aumenta porque o árbitro vai até a tela lateral para assistir pessoalmente.
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