Remo 2026: como o Leão montou elenco sem gastar
O Remo fez 24 contratações em 2026 e virou o clube que mais reforçou na Série A. O segredo? A maioria esmagadora veio sem desembolso de taxa de transferência.

Remo 2026: como o Leão montou um elenco de Série A sem abrir o cofre
O Clube do Remo entrou em 2026 com uma missão clara e um orçamento limitado. Mesmo assim, virou o time que mais contratou na Série A — e fez isso sem gastar o que os rivais gastaram. A estratégia tem nome: empréstimos, fim de contrato e inteligência de mercado.
O maior reformulador da elite em 2026
Recém-integrante da Série A, o Remo foi o time que mais contratou na janela inicial da temporada: 19 jogadores passaram a integrar o elenco. Outros chegaram depois. Ao longo de toda a janela, o clube realizou 24 contratações, promovendo uma reformulação quase completa do plantel.
Para entender a magnitude do movimento, basta olhar o contexto: a primeira janela de transferências do futebol brasileiro em 2026 se encerrou com cifras bilionárias na elite nacional — os clubes da Série A movimentaram mais de R$ 1,5 bilhão em contratações. O Remo estava nesse universo, mas jogando em outro degrau financeiro.
O protagonismo em volume de reforços é todo azulino. Para viabilizar a reformulação, o clube paraense investiu pouco mais de R$ 10 milhões — o maior valor já desembolsado em sua história para montagem de elenco.
Dez milhões de reais num mercado de R$ 1,5 bilhão. Isso representa menos de 0,7% do total circulado na Série A. E ainda assim, o Remo trouxe 24 jogadores. O truque está no modelo de contratação.
A lógica dos 86%: empréstimos e mercado livre
A principal aposta financeira da diretoria foi o volante argentino Leonel Picco, contratação mais cara da janela azulina. Apesar do investimento recorde dentro da realidade do futebol paraense, o montante ainda coloca o Remo entre os que menos gastaram na Série A em termos absolutos.
Ou seja: Picco foi exceção, não regra. A esmagadora maioria dos reforços chegou sem taxa de transferência. Como?
1. Empréstimos de clubes grandes
O clube acertou a chegada de Patrick de Paula, de 26 anos, por empréstimo. Revelado pelo Palmeiras, o volante canhoto traz força física, boa chegada ao ataque e experiência em clubes como Botafogo, Criciúma e Estoril Praia, de Portugal.
Já no ataque, o centroavante Carlinhos, de 28 anos, é outro nome fechado por empréstimo. O jogador pertence ao Flamengo e tem histórico recente de gols por Nova Iguaçu, Camboriú e Audax Rio.
João Lucas chegou ao Remo por empréstimo para reforçar o plantel — lateral-direito de 27 anos com formação no Flamengo e passagens por Santos, Juventude e Grêmio.
2. Atletas em fim de contrato
Um dos principais movimentos do Remo para 2026 foi o retorno de Yago Pikachu, de 33 anos, natural de Belém. Revelado pelo Paysandu, o atleta construiu carreira sólida no Vasco e no Fortaleza, onde disputou competições continentais e Série A. No Leão, chega com status de referência técnica e forte identificação com o futebol paraense.
O volante Zé Welison estava no Fortaleza desde 2022, mas foi pouco aproveitado recentemente. O jogador possuía contrato com o clube cearense até o fim de 2026, e acumula passagens por clubes como Atlético-MG, Botafogo e Sport.
3. Mercado internacional de baixo custo
O volante argentino Leonel Picco, de 27 anos, pertencia ao Platense, com contrato vigente até dezembro de 2028, e chegou ao Baenão por meio de compra definitiva de seus direitos econômicos. Na temporada passada, Picco disputou 30 partidas, sem gols ou assistências, mas se destacou pela forte marcação, intensidade física e poder de recuperação de bola. — essa foi, essencialmente, a única contratação com taxa de transferência relevante confirmada na janela.
Outro reforço vindo do exterior foi o centroavante Rafael Monti, que atuava no Vinotinto Fútbol Club, do Equador. Na atual edição da Série A equatoriana, o atacante somava 14 partidas disputadas, com nove gols e duas assistências.
Por que o Remo precisou de tantos reforços?
Não foi capricho da diretoria. A grande reformulação se deveu à saída de muitos jogadores após o acesso e ao desempenho abaixo do esperado de alguns remanescentes.
Após o acesso histórico à Série A depois de mais de três décadas, o Clube do Remo virou a chave para 2026 em meio a expectativas altas e cobranças intensas. O planejamento da temporada ganhou contornos mais claros com a apresentação das diretrizes conduzidas pelo executivo de futebol Marcos Braz.
Marcos Braz foi enfático ao afirmar que o Remo não entraria em disputas inflacionadas por nomes de peso. A frase resume a filosofia: buscar experiência sem pagar o prêmio de mercado.
A diretoria azulina adotou uma postura cautelosa, apostando em atletas com rodagem em Série A, experiência internacional e perfil competitivo, alinhados a um projeto esportivo que mira não apenas a permanência, mas a consolidação do clube entre os grandes do país.
O peso do calendário no planejamento
A inteligência financeira não para nas contratações. O Remo será o clube que mais viajará na Série A de 2026, com cerca de 95 mil quilômetros percorridos ao longo do campeonato — mais que o dobro da quilometragem de equipes do eixo Sul-Sudeste. Essa disparidade escancara um problema histórico para clubes do Norte, com impacto direto no orçamento, na recuperação física dos atletas e no planejamento esportivo. Esse fator pesa diretamente na definição do perfil do elenco e reforça a necessidade de jogadores com intensidade e adaptação a longos deslocamentos.
É por isso que o perfil traçado por Marcos Braz não foi apenas o de "quem encaixa no salário". Cada nome precisava ter rodagem suficiente para suportar um calendário mais exigente do que qualquer outro time da competição.
Os nomes que chegaram ao Baenão
Chegaram o goleiro Ivan Quaresma; os defensores Mayk, João Lucas, Thalisson, Léo Andrade, Marllon, Duplexe Tchamba e Braian Cufré; os meias David Braga, Patrick Nascimento, Patrick de Paula, Franco Catarozzi, Zé Wellison, Zé Ricardo, Leonel Picco e Vitor Bueno; e os atacantes Yago Pikachu, Carlinhos, Taliari, Rafael Monti, Poveda, Alef Manga e Jajá.
Segundo levantamento do 365Scores BR, o Remo liderou com folga o ranking de reforços entre clubes da elite.
No balanço final: 24 reforços, R$ 10 milhões investidos, e a grande maioria das chegadas sem custo de aquisição. Enquanto o Remo reformulava, outros clubes da Série A, como Palmeiras e Flamengo, optaram por manter a base de seus elencos. Estratégias diferentes para realidades diferentes — e o Leão Azul apostou na inteligência do mercado para compensar a desvantagem financeira.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Remo foi o clube que mais contratou na Série A de 2026?
Sim. O Remo foi o time que mais contratou na janela inicial da temporada, com 19 jogadores incorporados ao elenco já na primeira janela, chegando a 24 reforços ao longo de toda a janela de contratações.
Quanto o Remo gastou nas contratações de 2026?
Para viabilizar a reformulação, o clube paraense investiu pouco mais de R$ 10 milhões — o maior valor já desembolsado em sua história para montagem de elenco. O valor, apesar de recorde para o Remo, representa uma fração mínima do que a elite nacional movimentou na mesma janela.
Quem é o técnico do Remo na Série A de 2026?
Os reforços chegaram com indicações diretas do técnico Juan Carlos Osório, que comanda a equipe desde a pré-temporada. O treinador colombiano chegou ao clube após passagem pelo Tijuana, do México, e assumiu o projeto de manter o Remo na Série A.
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