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Quanto custa transportar um time de futebol fora

Voo fretado, hotel, alimentação, segurança: descubra quanto um clube da Série A gasta para jogar fora de casa — e como isso muda na Libertadores.

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Daniel Krust
··7 min de leitura
Delegação de time de futebol embarcando em avião fretado para jogo fora de casa

Quanto custa transportar um time de futebol para jogar fora de casa?

Você já parou pra pensar quanto custa levar um time de futebol para uma cidade diferente? Não é barato. Para um clube da Série A do Brasileirão, uma viagem completa para um jogo fora pode facilmente passar de R$ 500 mil. E tem muita coisa além da passagem aérea nessa conta.

O maior gasto: o avião fretado

O transporte aéreo é, disparado, o item mais pesado no orçamento de uma viagem. Mas o que é exatamente um voo fretado? É quando o clube aluga um avião inteiro só pra ele — nada de aeroporto comercial com fila, nada de sentar do lado de um desconhecido. A delegação embarca, o avião decola. Só.

Em média, um voo fretado para um time da Série A custa cerca de R$ 33 mil por "perna" — ou seja, por trecho de voo (só a ida). Ida e volta, portanto, já passa de R$ 60 mil numa rota curta. Para rotas mais longas, como São Paulo–Belém ou Rio–Porto Alegre, o valor sobe consideravelmente.

A lógica do fretamento não é só conforto: voos fretados permitem que os times economizem em hospedagem, pois é possível voltar no mesmo dia em muitos casos, além de reduzir gastos com receptivo e alimentação.

Em termos de mercado, o custo mínimo para fretar um jato executivo no Brasil parte de R$ 42 mil em rotas curtas, podendo chegar a R$ 213 mil em voos de longa distância como São Paulo–Manaus. Para aeronaves maiores, que comportam delegações completas, os valores são ainda mais altos.

O que compõe a delegação?

Quando falamos em "delegação", não é só jogadores. Uma delegação completa de Série A costuma ter entre 30 e 40 pessoas:

  • Jogadores (22 a 25 convocados)
  • Comissão técnica (técnico, assistentes, preparador físico, analista de desempenho)
  • Equipe médica (médico, fisioterapeutas, nutricionista)
  • Gestão e comunicação (diretor, imprensa, fotógrafo, assessores)
  • Segurança

Cada uma dessas pessoas precisa de passagem, hotel, alimentação — e traz bagagem. Tem clube que leva até material de cozinha e chef próprio nas viagens, justamente para manter a dieta dos atletas sob controle.

Hotel: quarto pra 30 pessoas não é barato

Imagina reservar um andar inteiro de hotel para uma noite. É basicamente isso que os clubes fazem. A diária de um hotel de bom padrão para uma delegação de 30 pessoas fica na faixa de R$ 30 mil a R$ 50 mil, considerando acomodações duplas ou individuais dependendo do perfil do clube.

Clubes maiores exigem condições específicas: quartos individuais para jogadores titulares, sala de reunião para preleção tática, estrutura para trabalho de recuperação (banheiras de gelo, fisioterapia) e às vezes até segurança no corredor. Tudo isso entra na negociação com o hotel.

Alimentação: nutrição é parte do investimento

Alimentação de atleta de alto rendimento não é marmita. Os clubes levam nutricionistas que elaboram cardápios específicos — carboidratos antes do jogo, proteína na recuperação, hidratação controlada. Quando a viagem dura apenas um dia, o gasto com alimentação é menor. Com pernoite, a conta cresce.

Para uma delegação de 30 pessoas durante 24 horas (almoço, jantar e café da manhã), o custo de alimentação adequada fica em torno de R$ 15 mil a R$ 25 mil, dependendo do padrão exigido pelo clube e da cidade de destino.

Equipamento e logística: as 10 toneladas que você não vê

Além das pessoas, os clubes transportam um volume impressionante de material. O Flamengo, por exemplo, transportou aproximadamente 10 toneladas de bagagem em sua viagem internacional para disputar a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos. Nem toda viagem tem esse volume, claro, mas o material básico já é expressivo:

  • Bolas e coletes de treino
  • Uniformes de jogo (titulares e reservas)
  • Material médico e de fisioterapia
  • Equipamento de análise de vídeo
  • Suplementos e produtos de nutrição
  • Estrutura de recuperação (botas de compressão, gelo, etc.)

Em voos fretados, esse excesso de bagagem já está incluído no pacote. Em voos comerciais, cada quilo extra tem custo adicional.

Segurança: um item que muita gente esquece

Times de grande torcida viajam com esquema de segurança próprio. Isso inclui seguranças particulares no hotel e no deslocamento até o estádio, coordenação com a polícia local e, em alguns casos, viaturas de escolta. O custo varia muito conforme o nível de risco da cidade e o porte do clube, mas pode representar R$ 10 mil a R$ 30 mil por viagem em cenários mais exigentes.

Quem paga a conta?

Depende da competição. Cada time é responsável pelo seu próprio financiamento, ou seja, é a própria equipe que arca com as despesas de transporte, hospedagem e alimentação durante as viagens.

Na Copa do Brasil, porém, as regras são diferentes. Para viagens de até 500 km, a CBF disponibiliza passagens rodoviárias ou ônibus para até 40 passageiros. Em distâncias acima de 500 km, a CBF fornece passagens aéreas para delegação de até 23 pessoas. Para os duelos da Copa do Brasil, a CBF ainda arca com todas as despesas de alimentação e hospedagem dos clubes visitantes.

No Brasileirão, os clubes se viram sozinhos. Os custos podem ser reduzidos por meio de parcerias com empresas patrocinadoras e com recursos provenientes de direitos de transmissão e venda de ingressos.

Como os gastos variam por categoria

Série A

Os clubes da elite podem bancar voos fretados para praticamente todas as rodadas. Na Série A, pelo menos 12 times já usaram o expediente de fretamento de voos, incluindo Atlético-MG, Bragantino, Flamengo, Goiás, Palmeiras, Vasco e São Paulo, que fecharam pacotes para a temporada. Uma viagem completa de Série A, com fretado, hotel e estrutura adequada, fica na faixa de R$ 300 mil a R$ 500 mil.

Série B

Na segunda divisão, o orçamento é mais enxuto. Muitos clubes viajam em voos comerciais, economizando no transporte mas pagando mais em hospedagem por não conseguir retornar no mesmo dia. A conta fica entre R$ 80 mil e R$ 200 mil, dependendo da distância e do porte do clube.

Libertadores

Aqui a coisa muda de patamar. Viagens internacionais para Bogotá, Buenos Aires, Santiago ou Lima envolvem passagens mais caras, hotéis em moeda estrangeira e logística mais complexa. Deslocamento internacional, traslados internos, hotel, alimentação, staff técnico, médico, de segurança e estrutura de recuperação formam um orçamento que vem crescendo de forma consistente a cada ciclo. Uma viagem de Libertadores para fora do Brasil pode custar entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão dependendo do destino e do padrão do clube.

O resumo da ópera

Item Série A (nacional) Libertadores (internacional)
Avião fretado (ida e volta) R$ 200–400 mil R$ 400–800 mil
Hotel (delegação de 30) R$ 30–50 mil R$ 80–150 mil
Alimentação R$ 15–25 mil R$ 30–60 mil
Equipamento e bagagem R$ 10–20 mil R$ 20–40 mil
Segurança R$ 10–30 mil R$ 20–50 mil
Total estimado ~R$ 300–500 mil ~R$ 600–1,2 mi

Esses números mostram por que administrar um clube de futebol no Brasil é um negócio complexo. Cada jogo fora de casa é uma operação logística que envolve dezenas de pessoas, toneladas de equipamento e centenas de milhares de reais. E o time ainda precisa chegar descansado para jogar bem.


Perguntas frequentes

Quanto custa um voo fretado para um time de futebol no Brasil?

Um voo fretado para uma delegação de futebol da Série A custa em média R$ 33 mil por trecho (só ida), chegando a mais de R$ 400 mil na ida e volta para rotas longas ou aeronaves maiores. O valor depende da distância, do tamanho da aeronave e do número de pessoas na delegação.

Quem paga as viagens dos times de futebol no Brasileirão?

No Brasileirão, cada clube paga as próprias despesas de viagem. Os custos são financiados por receitas de patrocínio, direitos de transmissão e programas de sócio-torcedor. Na Copa do Brasil, a CBF subsidia parte dos custos de transporte, alimentação e hospedagem do time visitante.

Quanto custa no total levar uma delegação para um jogo fora?

Uma viagem completa de Série A, incluindo voo fretado, hotel, alimentação, equipamento e segurança, custa entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Na Libertadores, com destinos internacionais, o valor pode superar R$ 1 milhão.

Por que os times preferem voos fretados em vez de voos comerciais?

Além do conforto e privacidade, os fretados permitem retorno no mesmo dia em muitos casos, o que reduz gastos com hotel. Também facilitam a recuperação física dos atletas durante o voo, com fisioterapeutas a bordo, e eliminam o risco de atletas ficarem expostos em aeroportos lotados.

A Libertadores é mais cara que o Brasileirão para viajar?

Sim, consideravelmente. Viagens internacionais envolvem cambio estrangeiro, maior distância e exigências mais altas de estrutura. Uma viagem para Buenos Aires ou Bogotá pode custar entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão — o dobro ou mais de uma viagem nacional típica.

Tags:#Bastidores#Logística#Brasileirão#Libertadores#Finanças do Futebol#Série A

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