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Por que Pelé é considerado o rei do futebol?

Três Copas, mais de 1.200 gols e um impacto que parou guerras. Entenda por que Pelé ainda é o Rei do Futebol — e o que o separa de Maradona, Messi e CR7.

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Daniel Krust
··8 min de leitura
Pelé comemorando gol pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, símbolo do rei do futebol

Por que Pelé é considerado o rei do futebol?

Pelé é o único jogador da história a vencer três Copas do Mundo. Ele entrou numa Copa do Mundo com 17 anos e saiu dela como o maior nome do esporte. Desde então, o título de "Rei do Futebol" nunca mais foi disputado de verdade — pelo menos não sem que o nome de Edson Arantes do Nascimento apareça primeiro.

Mas de onde vem esse título? E o que, de fato, faz Pelé ser diferente de Maradona, Messi ou Cristiano Ronaldo? Vem entender.


De onde veio o apelido "Pelé"?

Antes de falar do rei, vale entender o nome. "Pelé" não é sobrenome nem nome de batismo — é um apelido que surgiu na infância, em Bauru (SP), onde a família se mudou quando ele tinha quatro anos.

O menino Edson admirava um goleiro chamado Bilé, amigo de time do seu pai, o ex-jogador Dondinho. Como ele não conseguia pronunciar "Bilé" direito, durante as peladas com os amigos gritava algo como "Seguuura, Pilééé!" quando defendia o gol. O fato fez com que os amigos passassem a chamá-lo de Pelé — e ele não gostou, o que fez o apelido pegar de vez.

E o título de "Rei"? Segundo a ESPN, esse veio da França: a revista Paris Match estampou a manchete "Pelé, 17 ans, Roi du Brésil" logo após a conquista da Copa do Mundo de 1958. Rei do Brasil virou, com o tempo, Rei do Futebol — e o planeta inteiro adotou.


Três Copas do Mundo: o feito que ninguém repetiu

Aqui está o argumento mais forte da coroa de Pelé. Pelé é, até hoje, o único jogador da história a ganhar a Copa do Mundo três vezes.

A primeira foi em 1958, na Suécia. Um menino de apenas 17 anos encantou o planeta bola naquela Copa, marcando o início do reinado de Pelé. O atacante do Santos tinha 17 anos, 8 meses e 6 dias quando marcou na final contra a Suécia, numa vitória por 5 a 2. Era o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa — recorde que durou décadas.

A segunda veio em 1962, no Chile. Autor de quatro tentos e dribles geniais, Garrincha foi eleito o melhor jogador daquele Mundial — Pelé se machucou cedo na competição, mas o Brasil foi campeão do mesmo jeito. A coroa coletiva era de todos.

A terceira, em 1970 no México, é a mais lembrada. A equipe brasileira que representou o país naquela Copa é reconhecida até os dias de hoje como a melhor da história, e Pelé foi o símbolo principal de uma geração de craques como Carlos Alberto, Rivelino, Gérson, Jairzinho e Tostão. Na final contra a Itália, Pelé abriu o placar com um gol de cabeça inesquecível, antes de dar um passe de mestre para o gol decisivo de Carlos Alberto, no placar de 4 a 1.


Os números: gols que batem recordes

Além dos títulos, os números de Pelé são de outro nível. Considerado por muitos o melhor jogador de futebol de todos os tempos, são 1.283 gols em 1.363 jogos ao longo da carreira.

Em 19 de novembro de 1969, o estádio do Maracanã testemunhou um marco: Pelé marcou o milésimo gol de sua carreira — e chegou a essa marca em apenas sua 909ª partida, aos 29 anos de idade. Uma média absurda.

Pela Seleção Brasileira, Pelé vestiu a camisa amarelinha de 1957 a 1971, conquistando três Copas do Mundo (1958, 1962 e 1970), além de duas Copas Roca, uma Taça do Atlântico e outras conquistas. No cômputo oficial da FIFA, Pelé marcou 77 gols pela seleção em 92 partidas — e mesmo assim continuaria sendo o artilheiro da Amarelinha, já que o vice, Ronaldo Fenômeno, anotou 62 gols.

Pelo Santos, seu único clube no Brasil, foi hexacampeão brasileiro, bicampeão da Libertadores, bicampeão mundial de clubes e decacampeão paulista. Um currículo que qualquer clube do mundo invejaria.


O estilo: arte com bola nos pés

Pelé não era só gol. Era o jeito de jogar.

Uma boa análise é colocar Pelé como um jogador que reunia o melhor dos dois: ele tinha a parte atlética e a finalização eficiente que lembram Cristiano Ronaldo — finalizava bem com as duas pernas, cabeceava bem — e também a magia e a criatividade que caracterizam Messi.

Era ambidestro de verdade. Fazia gols de cabeça, de falta, de voleio, de drible. Inventou jogadas que os manuais táticos da época não tinham nome. O drible sobre o goleiro Mazurkiewicz no Mundial de 1970, sem nem tocar na bola, é um dos lances mais comentados da história do futebol.

Pelé mudou coisas importantes para o esporte. Ele foi o cara que expôs a necessidade de transformar jogadores de futebol em atletas. Antes, eram jogadores um pouco mais lentos, que definiam as jogadas com menos velocidade. Pelé acabou sendo um marco nessa transformação.


A visita à Nigéria e o impacto além do campo

Talvez nenhuma história ilustre melhor o poder cultural de Pelé do que a excursão do Santos pela África em 1969.

O episódio mais conhecido ocorreu em 4 de fevereiro de 1969, na cidade de Benin, na Nigéria. Na época, o país africano vivia a Guerra de Biafra, um conflito separatista iniciado em 1967, que se tornou uma das maiores tragédias humanitárias do século 20.

Durante a excursão do Santos pela África, o time paulista recebeu um convite para enfrentar um selecionado na Cidade de Benin, localizada estrategicamente entre a capital nigeriana, Lagos, e o estado de Biafra. Para acalmar o time paulista, houve a promessa de que haveria um cessar-fogo enquanto a delegação do Santos estivesse na região.

Ao longo de décadas, a figura do Rei do Futebol foi associada a episódios que teriam provocado interrupções temporárias em confrontos na África durante aquela excursão. Embora historiadores debatam até hoje se houve cessar-fogos oficiais ou apenas uma redução momentânea das hostilidades, os acontecimentos ajudaram a consolidar uma das lendas mais famosas da carreira do camisa 10.

Lenda ou fato histórico confirmado, o episódio diz muito sobre o que Pelé representava para o mundo: uma figura capaz de unir pessoas que nada mais unia.

De fato, a ONU o reconheceu como "Um cidadão do mundo", por meio de certificado oficial. Ao longo dos 82 anos de vida, Pelé teve 17 passaportes e visitou 72 países.


Pelé vs. Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo

A discussão sobre o maior de todos os tempos — o famoso GOAT (sigla em inglês para Greatest of All Time, ou "o maior de todos") — nunca vai acabar. Mas a posição de Pelé nessa conversa é sólida.

Como símbolo da disputa histórica, Maradona foi eleito em votação popular da FIFA o melhor jogador do século 20; Pelé, por sua vez, levou o prêmio em um júri de notáveis da entidade. Empate técnico, na prática — mas Pelé tem três Copas. Maradona, uma.

Já com Messi e Cristiano Ronaldo, a comparação é mais complexa porque envolve épocas diferentes. A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) elegeu Messi o melhor jogador de todos os tempos, com Pelé em segundo lugar — o único jogador com três títulos mundiais — e Maradona em terceiro, enquanto Cristiano Ronaldo ocupa o quarto lugar.

Messi talvez seja, realmente, o melhor competidor de Pelé na comparação pelo posto de maior de todos os tempos. No entanto, falta muita contextualização sobre épocas diferentes e sobra pressa em colocar o craque atual como o maior de todos.

O próprio Cristiano Ronaldo, ao defender sua posição, deixou escapar a grandeza de Pelé: ele disse que "quem diz que gosta mais de Messi, Maradona, Pelé, entendo isso e respeito. Mas dizer que Cristiano não é completo é mentira." Quando você precisa citar alguém para se defender, é porque esse alguém já está no topo.


Um legado que o tempo não apaga

O Rei do Futebol, considerado o maior de todos os tempos, faleceu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos, em São Paulo, com falência múltipla dos órgãos.

Mas legado não morre. O legado de Pelé é eterno e inspira milhões de pessoas por todo o mundo, dos atuais astros da bola a quem sonha em chegar ao topo do futebol mundial.

Três Copas. Mais de 1.200 gols. Um planeta que parou para vê-lo jogar. É por isso que o título de Rei nunca precisou de votação — ele foi conquistado dentro de campo, um drible de cada vez.


Perguntas frequentes

quantas copas do mundo pelé ganhou?

Pelé ganhou três Copas do Mundo: em 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e 1970 (México). Ele é o único jogador da história a conquistar o Mundial três vezes.

quantos gols pelé fez na carreira?

Pelé marcou 1.283 gols em 1.363 jogos ao longo da carreira, segundo o Livro dos Recordes. Pela Seleção Brasileira, foram 77 gols em 92 partidas oficiais, de acordo com o critério da FIFA.

de onde vem o apelido "rei do futebol"?

O título de "Rei" surgiu logo após a Copa de 1958, quando a revista francesa Paris Match estampou a manchete "Pelé, 17 ans, Roi du Brésil". Com o tempo, "Rei do Brasil" virou "Rei do Futebol" no vocabulário mundial.

pelé é melhor que messi?

A comparação é subjetiva e envolve épocas diferentes. A IFFHS elegeu Messi como o melhor de todos os tempos, com Pelé em segundo. Mas Pelé tem três títulos mundiais — marca que nenhum outro jogador, incluindo Messi, igualou.

pelé realmente parou uma guerra?

Em 1969, durante uma excursão do Santos pela África, houve relatos de um cessar-fogo na Guerra de Biafra, na Nigéria, para que a população pudesse ver Pelé jogar. Historiadores debatem se foi um cessar-fogo oficial ou redução momentânea das hostilidades, mas o episódio se tornou uma das lendas mais famosas da carreira do Rei.

Tags:#Pelé#História do Futebol#Seleção Brasileira#Santos FC#Copa do Mundo#Maiores da História#Futebol Brasileiro

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